Que tal um momento de reflexão?!
Com tantas informações pessoais na internet, a privacidade acaba sendo uma grande preocupação.
Leiam o texto e não esqueçam de comentar.
Boa leitura.
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Privacidade em tempos de Big Data
ctaurion Visits (4028)
Indiscutivelmente que hoje geramos quintilhões de dados por dia e,
queiramos ou não, estamos sob constante vigilância. Sabemos que nossas
ações são monitoradas quando usamos nossos cartões de crédito, quando
usamos nossos celulares e smartphones, quando fazemos buscas na Web ou
quando acessamos um site. No Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que
exista cerca de 700 mil câmeras instaladas nas ruas, prédios,
condomínios, bancos, supermercados etc, que de alguma forma gravam nosso
dia a dia. O Facebook armazena, em média, cerca de 111 MB de
informações sobre seus usuários.
Big Data, social media e algoritmos preditivos abrem um novo campo de
discussão sobre privacidade. Toda tecnologia é neutra por si, o uso que
fazemos dela é que pode ser positiva ou negativa. Uma empresa pode usar a
imensidão de dados que dispõe sobre seus clientes para uma promoção que
melhora significativamente a experiência de seus clientes, como um
governo com tendências ditatoriais pode usar os dados para controlar a
vontade política de sua população.
Assim, nada mais natural que a questão da privacidade permeie muitas discussões sobre Big Data.
Mas, vamos analisar a questão de forma racional. Primeiro, sabemos que
nem todos os dados gerados afetam a privacidade pessoal. Sensores que
geram dados sobre pressão do óleo em oleodutos não carregam dados que
nos afetam como pessoas. Mas, por outro lado, muitas empresas coletam
dados sobre nós, mesmo quando não os cedemos voluntariamente. Por
exemplo, as companhias telefônicas armazenam muitos dados sobre o uso
dos dispositivos pelos seus assinantes e que podem revelar muita coisa.
Vejam este video: http ://w ww.t ed.c om/t alks /mal te_s pitz _you r_ph one_ comp any_ is_w atch ing. htm l.
Big
Data, indiscutivelmente aumenta o risco de brechas na privacidade, mas a
questão é se este risco é realmente preocupante ou não. Voltemos às
câmeras de vídeo. Nós sabemos que elas estão por aí, mas nos acostumamos
com elas. Nós colocamos voluntariamente nossos dados pessoais no
Facebook ou expressamos nossa opinião no Twitter. Nós sabemos que o
Google usa nossos argumentos de busca e vídeos que vemos no YouTube para
nos mostrar uma propaganda que seus algoritmos achem mais adequado aos
nossos interesses. Assim, o foco da discussão, no meu entender, é se os
conceitos, leis, regras e soluções que governaram a questão da
privacidade até hoje ainda valem. Pode ser que se o problema mudou, as
soluções que usamos não façam mais sentido.
Os dados, por exemplo, que antes eram usados apenas para cumprir uma
função específica, agora sabemos que podem ser usados de inúmeras outras
maneiras. Um exemplo pratico: um registro de chamada telefônica era
usado apenas para gerar faturamento e eventualmente refinar o
posicionamento das estações radio base das operadoras. Agora podem ser
usadas para prever mobilidade urbana ou para promoções especificas
quando o assinante se aproxima de uma determinada loja conveniada, e
assim por diante. É um novo contexto. O uso potencial das informações
pessoais ultrapassa em muito o que podemos imaginar hoje. Novas
utilizações para os dados coletados hoje deverão ser imaginados no
futuro. Os processos atuais de “notice and consent” (aliás, alguém
realmente lê os contratos de acesso a serviços da Internet como os
ofertados pelas mídias sociais antes de clicar o “accept”?) não valem
mais, pois o dado poderá ser usado para algo que nem sabemos que poderia
ser usado. Nem as empresas que os coletam hoje.
Em tempos de Big Data temos que repensar certos paradigmas. Um exemplo
interessante é o Google Street View. A opção de negar uso de imagem de
uma residência obriga o Google a deixar nebulosa a imagem da casa, mas
este fato indica a quem navega pelo sistema a suspeitar que ali tem algo
importante, por isso está escondido. O efeito é inverso, pois atrai a
curiosidade. Anonimização também não é 100% garantido. O paper abaixo
mostra que devido à imensa variedade de dados públicos, é praticamente
impossível conseguir-se anonimização. Leiam em http ://s trat a.or eill y.co m/20 11/0 5/an onym ize- data -lim its. htm l.
Em tempos de Big Data nós somos a soma das nossas relações sociais
(Facebook e outros) e das nossas interações e transações eletrônicas,
por todos os dispositivos que fazem parte do nosso eu. Sim, um
smartphone é quase que um órgão do nosso corpo. Algoritmos preditivos
também podem causar impactos negativos se forem usados de forma
inadequada, como por exemplo, uma empresa de seguro saúde não aceitando
determinado cliente pela probabilidade dele desenvolver uma futura
doença.
Big Data não é inerentemente mau ou bom. O nosso uso do imenso volume e
variedade de dados é que torna a situação boa ou ruim. Algoritmos
preditivos podem nos alertar de um princípio de epidemia e nos dar tempo
de tomar medidas preventivas. Pode identificar uma pessoa unicamente em
um grupo e assim impedir que estereótipos sejam usados para julgar
determinada pessoa em um grupo étnico ou religioso. Nos ajuda a tomar
decisões mais acertadas correlacionando dados que não imaginávamos que
tivessem relacionamentos entre si e com isso pode mudar nossas opiniões,
eliminando falsas crenças.
Por outro lado traz riscos de invasão à privacidade. E depender apenas
de dados também embute riscos de ignorarmos fatores humanos, como
intuição, que os algoritmos não alcançam. Não se pode quantificar e
datificar tudo.
Provavelmente teremos que repensar como tratar dados e privacidade nos novos tempos do Big Data. O cientista Alex Pentland,
do MIT, propõe o que ele chama de “New deal” de dados, que seriam
garantias práticas de que os dados necessários dos produtos públicos
estarão disponíveis, mas ao mesmo tempo não afetariam a privacidade.
Para ele a chave é tratar os dados pessoais como um bem, onde as pessoas
teriam seus direitos assegurados sobre seus próprios dados. Ou seja,
independente de quem coletar os dados sobre você, eles lhe pertencerão e
você poderá acessá-los quando quiser. Os captadores de dados agiriam
como bancos, gerenciando os dados em nome de seus clientes, como os
bancos fazem com seu dinheiro. É um ponto de vista bem instigante e
creio que vale a pena ser estudado. A certeza que temos é que estamos
vivenciando uma sociedade cada vez mais conduzida e gerenciada por dados
e os conceitos de privacidade, fluídos com o tempo, começam a ser
rediscutidos.
Na web tem muitos textos sobre o assunto privacidade e Big Data, e um
dos que vale a pena ler é este publicado no Financial Times, por
analistas do Gartner: http ://w ww.f t.co m/in tl/c ms/s /0/1 05e3 0a4- 2549 -11e 3-b3 49-0 0144 feab 7de. html #axz z2kY M2DS P b. Enfim, temos ainda muita discussão pela frente.
FONTE: https://www.ibm.com/developerworks/community/blogs/ctaurion/entry/privacidade_em_tempos_de_big_data?lang=en, acessado em 20/09/20


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